sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Desejos e Comportamentos

 Geliane Gonzaga

 

      Todas as religiões, filosofias religiosas espiritualistas, trabalham com a lógica da evolução constante e permanente. Sendo assim, a grande pergunta é como crescer dentro dessa ideia de evolução constante. As regiões espiritualistas, e sua lógica da constante evolução, tem como crença a continuidade da vida espiritual e reencarnação, e esses momentos distintos se entrelaçam e convivem entre si na vida na carne e fora dela, sendo assim, os conhecimentos científicos que é produzido na carne se completam com a espiritualidade e vice versa. A física quântica por exemplo, modelo científico que a humanidade ainda engatinha na terra, já vislumbra de modo científico os diferentes padrões energéticos e densidade da matéria que nos permite dizer que, eventualmente, ( bastante tempo) podemos explicar de maneira científica e racional a existência da vida extra carne. A filosofia e Sociologia que se desenvolve em nosso planeta, indica comportamentos e pensamentos sociais que podem nos aproximar de uma evolução contínua. Na carne, ou fora dela, se faz presente a fala de Jesus ao afirmar que " Existem muitas moradas na casa de meu pai".

        Diante desse raciocínio que eu encaminho nessas palavras, não tenho como não deixar de raciocinar uma característica humana que se apresenta numa perspectiva de evolução. As Ciencias Humanas nos ensina que o homem, controla seu comportamento e não seu desejo. Vamos a um exemplo simples e corriqueiro para ilustrar melhor essa ideia:

    - Ao passear por uma loja em um Shopping podemos ver um tênis em uma vitrine cujo o preço é muito alto. Ao ver o tenis, é imediato, instantâneo, e principalmente incontrolável o nosso desejo de possuir aquele produto. Mas pelo preço alto, e o peso que tal aquisição produzirá em nosso orçamento, nos leva a desestimular nossa compra, assim sendo, viramos as costas e continuamos nosso passeio. Observe, não controlamos o DESEJO de ter o calçado, mas controlamos o COMPORTAMENTO de não comprar o calçado.

        Nessa "luta" entre controlar o comportamento diante dos nossos desejos, está uma imensa e fundamental ferramenta de evolução. Dei no exemplo acima uma situação banal, mas que pode estender a regra a todas as situações da vida, das mais complexas e trágicas, até as mais sutis. O desejo de melhorar a situação econômica, e de poder levou, e leva povos inteiros a serem dizimados, leva famílias a serem destruídas a tragédias das mais diversas ordens a serem realizadas.Tanto pessoal como em sociedade. Quantos amigos e familiares "passam a perna" em seus semelhantes para atender seus desejos... Até mesmo dentre das religiões vimos comportamentos absurdos como sendo a "vontade de Deus". Sendo assim, temos como missão em nossa evolução: controlar nossos comportamentos frente aos nossos desejos. Nossa ação em "vida" na carne, e posterior passagem para um outro plano acelera ou atrasa nossos passos na estrada da evolução. Então é fundamental analisar e mensurar nosso comportamento diante do que desejamos. Se não controlamos os desejos, temos a obrigação de controlar nosso comportamento. Esse é um estágio de evolução em que nos encontramos, e ainda permaneceremos por um bom tempo até regenerar internamente a ponto de termos desejos melhores, mais virtuosos. Perceba que não é algo que ira acontece em um estalar de dedos. Nossos desejos vão sendo moldados com o tempo, na vida na carne e fora dela. Vamos amadurecendo, como almas imortais e esse amadurecimento contínuo modifica valores que nos abre horizontes para novos desejos que geram comportamentos também mais puros e humanos. Não se iluda, ninguém consegue isso da noite para o dia, é o tempo, é a capacidade de controlar nossos comportamentos no momento, domando nossos desejos. Nossos pensamentos em certa medida se comporta como um inimigo de nós mesmos, e a derrota desse inimigo se dá através da busca de controle de nosso comportamento, num processo lento, linear e constante.  Mestre Jesus nos deixa um excelente remédio/ dica  para tal trabalho. ORAR E VIGIAR. Orar sempre buscando inspiração dos amigos benfeitores espirituais e vigiar nosso comportamento enquanto não dispomos de desejos mais apurados devido ao nosso nível de reflexão e evolução. Vamos refletir?? 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

As Sete linhas de Umbanda

 Por Geliane Gonzaga

Quando estudamos a Umbanda percebemos o quanto nossa amada religião é ampla, diversa e com as mais diferentes interpretações. Talvez essa abertura toda é o que faz da Umbanda algo tão formidável. Não ter dogmas definidos, ou seja, por não carregar verdades absolutas, a religião permite a diferentes filhos de fé possuir em seu pensamento e em suas crenças, diferentes interpretações e impressões pessoais de seus ensinamentos. A minha opinião pode não ser a de outro, e muito menos que a minha seja uma verdade absoluta; tenho o dever de escutar o irmão de fé, devo ter a humildade de ouvi-lo, e muito corriqueiramente acrescentar suas impressões as minhas formando algo maior produzido pelo aprendizado mútuo. Como um dia um Marinheiro me falou: - “Somente os soberbos acham que seu conhecimento está completo.” (Capitão Marinho). Nunca estamos completos, nunca estamos 100% certo e o outro 100% errado. Crescer e evoluir em conjunto, é o que penso.
As chamadas e faladas Sete Linhas de Umbanda é controverso. Leio a respeito e vejo o quanto o assunto é polemico e vasto. A seguir vai a minha interpretação das Sete Linhas, lógico, não é a verdade absoluta, nem muito menos que minha compreensão está acabada, pelo contrário, pode mudar com o tempo, através de conversas, orientações e estudos. Na Umbanda, todos somos eternos aprendizes.
As Sete Linhas são as sete irradiações ou vibrações de Deus: Fé, amor, conhecimento Justiça, lei, evolução e geração. Para cada uma dessas irradiações ou vibrações divinas há como regente maior dois Orixás, um masculino e um feminino. Se o amigo leitor observar bem, a humanidade e as criaturas humanas sempre buscou ou viveu sobre tais irradiações.
Fé: É um atributo humano que sempre acompanhou a história humana desde os primórdios. O homem de diferentes formas sempre acreditou e buscou Deus ou o sobrenatural para resolver conflitos e buscar auxílio. Sempre possuímos fé.
Amor: Algo inerente ao homem. Alguns o sente em níveis mais apurados e amplos, como o amor ao próximo sem expectativa de receber retorno, outros só consegue despertá-lo se amparados pelo egoísmo em um amor de posse, alguns a bens materiais. Enfim, amor é um atributo humano até mesmo entre ateus. Amar é uma característica humana.
Conhecimento: É outra qualidade ou característica apenas humana. A busca pelo conhecimento faz o homem se reinventar a cada momento. A Sociologia explica isso com grande propriedade, e que na ocasião cito o exemplo dos animais. O cavalo do século XVI é exatamente igual ao cavalo do século XXI. Diferente do homem que a busca pelo conhecimento proporciona mudança no seu modo de ser e pensar, criando um novo homem a cada mudança tecnológica, a cada nova descoberta. Vale salientar aqui o aumento da responsabilidade do homem na atualidade, já que esse possui condições de ajudar o irmão de maneira muito mais ampla e eficiente, devido justamente a esses novos conhecimentos.
Justiça: A capacidade de indignação do ser humano em diversas situações o leva a busca e o sentimento de justiça. Como passar imune ao sofrimento alheio escancarado em nosso dia a dia. Quem não se indigna com situações como as recentes imagens dos refugiados que morrem de frio e fome vindos da Síria rumo a Europa. Quem não sente na pele a injustiça provocada contra o Mestre Jesus no episódio da crucificação. Quantos de nos não nos percebemos envoltos em pensamentos que a justiça do homem falha, mas a de Deus não. A justiça é algo que acalentamos, mas não podemos esquecer que tal justiça vale pra todos. “réus e vítimas”, ai temos que atentar na próxima irradiação divina.
Lei: Não há justiça sem lei. As leis divinas são imutáveis e não permite que ninguém fique fora de seu alcance. Está presente na lei de Deus que nosso futuro é a evolução. Esse é o caminho; e que através de nosso livre arbítrio fazemos e modificamos nosso comportamento e ações durante a caminhada. Ninguém foge de seu caminho, a evolução. Infeliz daquele que tenta contra a própria vida achando que assim ficará livre de seu sofrimento. A lei da evolução eterna não deixa escapar a alma imortal de seu caminho, e tal ação só complicará mais ainda sua situação. O exemplo acima é um de muitos outros em que as leis divinas não falham. A reencarnação e sua roda cármica fazendo parte das leis divinas vão ser seguidas pelo caminho da prova ou da expiação. Mas podemos lidar com essa situação de maneira mais amena. Aprenda a amar; plante flores e colherá flores. Toda ação a uma reação, que gera outra ação, outra reação e assim por diante. Sendo assim, viva com sentimentos nobres e tenhas ações boas para ter reações melhores ainda. Quem planta vento, colhe tempestade.
Evolução: Talvez essa irradiação ou vibração divina seja a mais fácil de se comentar mas em contrapartida a mais difícil de se colocar em prática até mesmo pela condição de imperfeição do ser humano. Todos nos em nossas consultas somos sempre alertados pelos nossos amados guias sobre mudanças de pensamentos e comportamentos. Todos nós sabemos que agir e viver com amor ao próximo, em equilíbrio, mantendo pensamentos bons afim de atrair “coisas”, espíritos e energias boas para perto de nós é uma necessidade constante. Mas quem não se perde em erros constantes? Quem não se perde em vícios e paixões que atrasam nossa evolução? Quantos de nós não nos colocamos em vaidades e egoísmo? Deus nos irradia evolução a nos auxiliar, mas nos mesmo através de ações e pensamentos perdemos a sintonia vibracional com Deus. Como disse nosso mestre: -Orai e vigiar; orai a Deus fazendo renascer dentro de nós sua chama divida; vigiai nossas ações e pensamentos sempre, pois assim nos colocaremos na estrada evolucional que Deus espera de nós, exatamente por ser o melhor pra nós. EQUILÍBRIO irmãos.
Geração: Nosso mestre Jesus entre tantas lições nos deixou o ensinamento que somos a imagem e semelhança de Deus. Sendo assim, possuímos a qualidade de geração divida. Podemos gerar coisas a qualquer momento e em qualquer situação. O que gerar, ai vai de nosso livre arbítrio, e arcaremos com as responsabilidades dessa geração. Temos a capacidade individual e pessoal de produzir, de gerar coisas novas; temos a capacidade e a escolha, de gerar um sorriso e por consequência um dia melhor no rosto da criança abandonada; temos a capacidade e a escolha de gerar entendimento em nosso trabalho; temos a capacidade e a escolha de gerar a paz em nosso lar; temos a capacidade de gerar maior conforto a um morador de rua que oferecemos um cobertor; temos a capacidade de gerar esperança a um irmão que errou, e agora busca uma nova chance. Em termos de humanidade temos a capacidade de gerar armas e vacinas; transporte ou máquinas de guerra; solidariedade e sofrimento. Deus, presente em nós através do incentivo e sua irradiação geradora nos oferece a opção de gerar o que queremos, só não esqueceremos da cobrança depois para não reclamar de injustiça. Reflitamos...



A esquerda

Por Geliane Gonzaga

 Muitas pessoas me perguntam sobre a linha da esquerda dentro da nossa Umbanda, pois é a linha que sem dúvida assusta algumas pessoas, dando uma visão de “coisa do mal” aos que não a conhece. Sempre que me perguntam sobre a esquerda, respondo com outra pergunta: -Você tem tempo? Não gosto e acredito que não dá pra explicar sobre a esquerda com uma simples frase. Nossa Umbanda não tem dogma, ou seja não há verdades absolutas, a Umbanda está sempre em constante evolução recebendo influências de diversas tendencias e pensamentos e assim sendo, a visão que aqui passo é a minha visão, meu entendimento, que pode ser diferente de outras pessoas, e que não significa que será a minha visão pra sempre, pois me considero engatinhando ainda nesse universo religioso e claro, amanha posso rever conceitos ou incluir novos na formação de minha crença. Na vida somos eternos aprendizes, assim como nossos irmãos que manifestam em nossas correntes também são, pois eles mesmos fazem questão de afirmar que estão assim como nós buscando sua evolução, essa sim, sempre eterna e que galgamos degrau por degrau na direção de nosso pai maior.
Para explicar quem, e o que é a esquerda é necessário voltar na gênese, no início de tudo. Segundo a crença Africana, na qual eu adoto por achar muito lógica, quando Deus pensou em criar tudo, esse tudo surgiu primeiro em seu pensamento. Somos assim também, a ideia vem na nossa cabeça antes de exteriorizá-la e colocá-la em prática, isso é até mesmo bíblico (somos a imagem e semelhança de Deus); assim quando Deus imaginou o todo, surgiu esse todo em seu pensamento primeiro, tente compreender, antes da criação só existia o vazio absoluto. Essa concepção de vazio absoluto é difícil de ser entendida. Imaginamos um balde vazio. Na realidade ele não está vazio, pois o mesmo está “recheado” e cheio de oxigênio e outros gases da atmosfera, é um vazio relativo, absoluto não existe nada, nem mesmo a sutilidade da atmosfera. Assim Deus criou o primeiro orixá, EXU, o dono do espaço absoluto, onde tudo que caia nesse domínio tinha por consequência sua desintegração, e que por ser um espaço absoluto e infinito permitiria ser a base da construção universal., já que nada existe no espaço absoluto. Pronto, tinha ai Deus criado a possibilidade de “espaço” ou lugar analogicamente falando as condições para que de fato iniciasse a criação do universo. Eu um segundo momento, Deus inicia a criação concreta das coisas, tendo origem nesse momento o segundo Orixá, Oxalá, esse sim senhor absoluto de toda a criação. Mas surge ai um problema, tudo que estaria no domínio de Oxalá poderia se desintegrar no espaço absoluto da criação, afinal essa é a natureza de Exu, então o pai maior, criou um acordo que Oxalá, senhor da criação permanecia a sua direita, e ali criaria o universo, e a sua esquerda ficaria o Exu, extinguindo tudo que caísse em seus domínios. Essa rápida “historinha” é fundamental para entender o trabalho da esquerda, pois é da natureza dos Exus essa capacidade de dissipação de coisas e energias, daí seu grande poder de descarrego, pois as energias geradas que não são boas no nosso terreiro e no nosso dia a dia, Exu joga em seus domínios e dissipa por completo. A Umbanda se organiza em arquétipos, isso não é novidade pra ninguém (Pretos Velhos, Baianos, Caboclos etc), as entidades que estão nos terreiros e apresentam como esquerda, também estão em arquétipos. Os espíritos que foram pessoas que caminharam muito tempo pela estrada do mal, vão com o tempo perdendo suas características originais em que foram criados por Deus. As mazelas provocadas por eles mesmos em suas consciências são imensas, ao ponto que é chegado o momento que precisam se “resetar”, voltar ao nada e mudar o rumo de sua caminhada agora direcionada ao bem. Esses espíritos são em um primeiro momento exunizados, ou seja, tem todo o mal que estão dentro de sí dissipados e assim podem voltar ao caminho da evolução pelo trabalho voltado ao bem. Veja a maravilha de nosso amado Deus, que mesmo que, o seu filho errou por uma infinidade de encarnações ao longo dos seculos em sua trajetória de vida do espírito imortal, Deus permite que seu fardo de erros seja absorvido pelo mistério Exu e esse tenha condição de voltar ao caminho do bem. Pra mim, não existe exemplo maior da passagem bíblica do filho pródigo depois de grande erro. Esses espíritos exunizados que se apresentam em nossos terreiros são irmãos que buscam sua evolução depois de imensos sofrimentos que carregam em si devido ao sofrimento causado no outro, e por estar sobre a influencia do Orixá Exu, carregam em seus poderes a capacidade de exterminar energias pesadas e ruins, dando auxílio a nós que os procuramos a pedir auxílio. De nada tem de demônios ou coisa do gênero, o que existe por ai, são kiumbas que se utilizam do nome forte de Exu e se apresentam pra fazer o mal, não são Exus, e sim farsas nas quais nossos verdadeiros guardiões estão a nos proteger. Esse trabalho de descarrego de energias ruins, tipica do Orixá Exu e lógico, de espíritos que apresentam as características desse Orixá em nossos terreiros é fundamental para nos dar equilíbrio sobre as energias pesadas e ruins, e fundamental para afastar de nós influências que nos tire da estrada do bem. Há terreiros em que se apresentam de branco como as linhas de direita, não importa a questão de vestimentas e afins, talvez seja mais importante a nós do que a eles, mas eu particularmente gosto de suas vestimentas e afins bem definidos em um arquétipos forte e totalmente diferente da Direita. Em resumo, deixe seus pensamentos ruins ser extirpados por nossos amados trabalhadores da esquerda. Vá ao terreiro em dia de esquerda com pensamento de mudança, vá disposto de coração e alma a deixar nossos guardiões fazer o que eles melhor fazem, dar a nós a condição de reflexão e por conseguinte a volta ao caminho do bem. Não menospreze os trabalhos de nossos amigos de esquerda nem renegue suas funções a afazeres menos importantes, como atender nossas vaidades. A vida de nossos irmãos desencarnados que estão a vagar sem rumo seria e estaria muito mais perigosa e dolorida sem o Sr. Tranca Ruas das Almas a proteger aquele que tem merecimento das dores e do frio das ruas, lugar que não oferece aconchego nem muito menos a confiança sincera, a amizade típica da família que fornece vínculos positivos. A dor e o clima encontrados nos velórios, nos momentos da despedida do corpo físico, as energias de revolta, ódio e rancor, seria muito mais prejudicial a todos se o Sr.Marabá não estivesse nesse ambiente de dor a conter e dissipar o que é possível. As lamúrias e as energias pesadas provocadas por espíritos inconformados e sofredores seriam muito prejudiciais a todos se o Sr. Caveira,ou outro responsável não as dissipasse nos cemitérios. Exu, resgata da lama, Exu é esperança de vida nova, Exu é vitalidade, Exu é providencia divina.

Laroyê Exu, que venha nossa primeira esquerda do ano.   

Mediunidade e Subconsciência

  Por Geliane Gonzaga

   Estava lendo alguns estudos sobre a mediunidade que gostaria de repartir minhas impressões com todos. Longe de mim de querer aqui dar lição em alguém, não tenho essa capacidade e nem muito menos esse conhecimento, mas acho interessante esse debate, e gostaria de contribuir com algumas ideias, e desses pensamentos estimular uma discussão e até mesmo ser corrigido se minhas interpretações forem equivocadas ou desencaixadas da realidade.
Nosso corpo físico é dotado de características em termos de consciência que é muito aquém da nossa consciência espiritual. Há estudos no campo da psiquiatria e psicologia que indicam que nós utilizados em nossa vida vivida, no dia a dia algo em torno de 10% de nossa consciência, o restante está obscuro no nosso subconsciente. Nesse subconsciente se encontram, além de informações e arquivos de experiencias e traumas vividos nessa vida, nessa atual encarnação, também experiencias vivencias de outras vidas, boas e ruins, e é claro, conhecimentos valiosos que por providencia divina não nos é permitido a revelação de imediato, e nem mesmo o acesso sem um difícil amadurecimento de nossas faculdades mediúnicas. Como espíritos imortais que somos é claro que temos toda uma carga de experiencias armazenadas em nosso subconsciente de experiencias adquiridas em vários ciclos reencarnatórios ou não. Essas experiencias guardam tendencias boas e ruins, que em nosso planejamento reencartatório pra essa vida atual assumimos o compromisso de vencer e superar, afinal, a experiencia na carne é fundamental e tem como objetivo maior a evolução no sentido do bem, e para isso temos que vencer nosso pior inimigo que é nos mesmo e nossas tendencias desajustadas. Isso explica em parte o quanto é difícil nossa transformação. Hoje, um determinado indivíduo faz plano que na prática é difícil de se realizar. Quantos de nós em nossas reflexões não assumimos o compromisso de fazer a atitude ou o comportamento A, e na prática realizamos o comportamento B. Nos sabemos o certo, queremos e desejamos realizar o certo por ter conhecimento e consciência do que é certo, e na vida diária não conseguimos colocar o certo em prática, ai chega uma nova reflexão e ficamos frustados, pois o compromisso por nos mesmo assumidos não foi realizado, não conseguimos a mudança por nos planejada e almejada em reflexão realizada dias antes. Isso é reflexo de vícios que temos carregados sabe Deus a quanto tempo, em quantas reencarnações passadas que gera tendencias, nas quais lutamos contra e e muitas vezes, ou no meu caso, na maioria das vezes não temos a capacidade de modificar. Como afirma o mestre Jesus, é necessário Orar e Vigiar. Nas orações nos conectamos com as energias que nos dará forças para a luta e a a mudança íntima , e a vigília corrigimos a nós mesmos contra extintos que gostaríamos que fizessem parte do passado de nossa história, sendo superados. Na mediunidade esses arquivos do subconsciente são acessados por nossas entidades que vem realizar trabalhos conosco. Por isso cada dupla, entidade e médium é um atendimento único, pois assim sendo as experiencias vividas pelos dois é trabalhada no processo de atendimento. Vamos a um exemplo pra melhor elucidação. Suponhamos que o médium João (nome fictício) sofreu recentemente uma desilusão amorosa e que, tal desilusão e sofrimento causado pelo rompimento amoroso deixou na sua CONSCIÊNCIA atual marcas profundas. Nosso amigo está em um atendimento na qual o consulente está ali buscando auxílio devido a um caso parecido. Nosso bondoso amigo João tem uma mensagem negativa nesse momento, de que, as pessoas são falsas, que a decepção amorosa é algo que faz dor, portanto o melhor a fazer é não se apaixonar etc.... Essas impressões carregadas de dor pelo João esse momento, dificulta e entidade que ele está trabalhando de passar uma mensagem em que objetiva o perdão, a volta por cima, enfim, uma mensagem de esperança. Nessa hora, a entidade busca nos “arquivos” guardados no subconsciente do médium João experiencias de vidas preterias boas nesse sentindo, assim sendo, João torna-se mais apto a “não passar na frente do médium” e não atrapalhar o atendimento, pois, mesmo não lembrando de sua vida passada, o sentimento de boa experiencia passada, e guardada no subconsciente, gera um contraponto permitindo que o trabalho da entidade seja realizada com melhor resultado, afinal, ele sente a dor da desilusão atual, mas também sente o coração acalentado pela esperança de novo recomeço, situação que ele viveu e venceu, e acredita e encontra forças para vencer novamente nessa vida atual. A entidade assim, presta um duplo favor. Primeiro ao consulente, e um favor muito maior ao médium que agora tem em si mesmo um sentimento revigorado em sua própria experiencia. Esse é um dos motivos que saímos tão bem dos trabalhos (na maioria das vezes rsrs) e nos sentimos revigorados. É necessário ter como rotina em nosso dia a dia a busca por nosso subconsciente e dessa forma melhorar nossa sensibilidade mediúnica. Isso se dá através do exercício da reflexão, do olhar pra dentro de nos mesmos. O ser humano é o mesmo, os sentimentos, erros e acertos são os mesmos no decorrer de nosso tempo como espíritos imortais em nossas vidas preterias. Muda-se o tempo histórico, o contexto geográfico e tecnológico em que vivemos e viveremos ainda. Então nossa atitude atual que gerou sentimentos, ações e consequências, muito provavelmente já vivenciamos em outras vidas e colhemos impressões boas e ruins. É necessário que, ativamos em nós mesmos, para nosso próprio benefício nossas lembranças ocultadas pelo subconsciente, e o ato de refletir diariamente sobre o que fizemos, se nossas ações foram boas ou ruins para um maior numero de pessoas, as consequências de nossas ações ruins e por ai vai é um canal que temos com nosso “eu escondido”. É devido a isso mesmo que, quando refletimos sobre determinada situação ao final do processo reflexivo temos outras ideias, outras impressões, ou seja um caminho e uma visão mais ampla sobre o fato e suas potenciais consequências. Isso é evolução. A reflexão é importante ferramenta nesse sentido. É necessário que se tenhamos esse habito, pois assim organizamos nosso subconsciente e permitimos que nossos guias utilizem de tais conhecimentos em benefício de nós mesmos e dos consulente que estamos a atender. Nossa “biblioteca” do subconsciente deverá ter seus arquivos organizados, se chegamos em uma biblioteca e os livros estão organizados em títulos é muito mais fácil o acesso do que se tiverem todos misturados. Façamos um esforço, organizemos nossos pensamentos, nossa “ biblioteca” sentidos e informações através da reflexão. Assim realizaremos um trabalho de melhor qualidade na qual nos mesmos seremos os mais beneficiados, pois facilitará nossa caminhada como espíritos imortais a caminho da evolução.

Mediunidade e Evolução

       Por Geliane Gonzaga

     A mediunidade sempre acompanhou o homem desde os tempos remotos. A história nos mostra hábitos nas mais variadas culturas e momentos históricos em que a mediunidade se fez presente de diferentes formas. Ao observar as civilizações antigas e as experiencias que tais civilizações e povos vivenciaram, é possível observar que várias cerimonias e atos são resultado de mediunidade, as vezes sutil, as vezes mais explícita mas sem dúvida a espiritualidade e claro, a mediunidade sempre esteve ali a colaborar com o crescimento e a evolução dos que vivem experiencias na carne. Os antigos Gregos, principalmente os Atenienses, tinham por costume a consulta aos oráculos antes de tomarem decisões de destaque. Ali havia mediunidade. Os rituais do Xamanismo nas sociedades indígenas pré- colombianas e africanas da sinais claros de mediunidade. Os antigos Hinduístas e Budistas contavam com orientações divinas, enfim, a mediunidade sempre existiu na história humana de uma maneira ou outra, adaptada a suas realidades e culturas, e principalmente ao grau de interpretação e compreensão de cada povo. Da mesma maneira a figura do médium sempre esteve presente nesses processos. O Pajé, chefe ou sacerdote era responsável pela religiosidade no Xamanismo, alguns tinham a capacidade de ler os oráculos na Grécia antiga e assim por diante. Mesmo que o termo Médium não era conhecido ou utilizado, havia um ser encarnado que fazia esse tipo de contato em maior ou menor grau com a espiritualidade e trazia de lá, ensinamentos e reflexões na maneira de agir dos membros dessa comunidade. A historiografia e a arqueologia hoje nos traz relatos interessantes em recentes estudos sobre o início da era Cristã. Saulo,soldado romano implacável na perseguição dos cristãos, em certa ocasião teve um encontro com o Cristo (bem após a crucificação) na estrada que ia até Damasco e ali, se converteu ao cristianismo adotando o nome de Paulo de Tarso. Jesus usou da mediunidade de Saulo para proporcionar tal encontro e transformá-lo em Paulo. O próprio encontro de Jesus com os discípulos mais próximos, após a crucificação foi um episódio mediúnico. Para melhor exemplificar tal fato recorreremos aos recentes estudos sobre a organização da sociedade romana, pois tal conceito sempre gera muita polêmica.
A crucificação era a forma de execução do Império Romano na época, assim como temos nos dias atuais a cadeira elétrica ou injeção letal em alguns estados americanos. Por curiosidade apenas, a causa mortis da crucificação é asfixia. O fato do peso do corpo sustentado pelos braços abertos faz com que a musculatura toráxia pressione a traqueia causando asfixia. Mas voltando ao assunto, os romanos crucificavam todos aqueles que eram contra ou questionavam o império, e lógico, o cristianismo fazia isso com grande eficiência. Assim, houve épocas de invasões e conquistas de novas terras em que os romanos crucificaram 10 mil pessoas por semana para acabar com a resistência do povo conquistado, e era política de estado de Roma que os campos de crucificação ficassem nas redondezas das áreas urbanas e se possível em um monte ou elevação afim de todos que passassem pelo local visualizava tal campo de horror afim de servir de exemplo. Fazia parte também de tal procedimento que guardas guardassem o local constantemente para reprimir qualquer tentativa de retirada de corpos, que eram decompostos ali, na cruz com as intemperes do clima e a ação de bactérias e abutres. Isso justifica o fato de tão pouco se encontrar a respeito de fósseis do período, pois essa forma de atuação não permitia que sobrasse grandes provas de restos mortais. Sendo assim, o encontro com os discípulos dias após a crucificação é um episódio tipicamente mediúnico, mas em um momento que mediunidade não era um termo conhecido ou utilizado.
Muitos séculos depois na França Allan Kardec traz a luz do mundo o conhecimento dos espíritos com sua obra, ai sim, através dos espíritos aparece o termo mediunidade para explicar fenômenos antigos e inexplicáveis narrado pela história. Allan Kardec e sua doutrina foi bem aceita nas altas rodas da sociedade europeia, mas não teve a mesma inserção na realidade da sociedade brasileira, com sua grande mestiçagem e com forte influencia das culturas negras e indígenas locais , alem de seu discurso muito erudito para aquelas condições brasileiras da época, não abarcava dentro do espiritismo certos anseios e principalmente linguagem da sociedade brasileira. Assim, 1908, apenas poucas décadas após o fim da escravidão (1888), através da mediunidade do jovem Zélio Fernandino de Morais, Padre Jesuíta morto pela inquisição católica na Europa, se apresenta com o nome de Caboclo das Sete Encruzilhadas e funda a Umbanda, uma religião que unia em sua base os excluídos da sociedade e principalmente do Espiritismo, o negro e o índio, com respeito a sua cultura e linguajar e mensagem próprio desse povo humilde, que mais tarde, abarcaria dentro da religião outros humildes e excluídos, os sertanejos na figura dos Baianos e Boiadeiros, assim como o “povo do mar “, os Marinheiros. A linguagem na transmissão dos ensinamentos, ou seja, a forma mediúnica fez com que a religião que pregava a caridade e o amor fosse logo de imediato uma luz no caminho desse povo sofrido, miscigenado e excluído do Brasil da época. Mas a sociedade evolui, e lógico a mediunidade, ou o modelo de transmissão das mensagens também evolui. Seria muita ingenuidade, mas muita mesmo, achar que hoje em dia a espiritualidade com toda a sua luz, conhecimento e compreensão, não adaptassem as mudanças da sociedades. Veja bem, se o próprio termo mediunidade surge com Kardec e as manifestações mediúnicas ocorriam muito antes, não há como negar uma mudança na mediunidade com o decorrer do tempo. Seria muita ingenuidade acreditar que entidades de luz não conhecessem mudanças tecnológicas como internet e televisão. Imagine a seguinte situação. Vamos ao centro, conversamos com a entidade, pedimos a sua proteção e recebemos a informação que mais tarde tal entidade fará uma visita e limpeza em nossa casa. Ai chegamos em casa, firmamos uma vela, pedimos sua proteção e ao cair da noite recebemos a visita da entidade em nossa casa, e ali, em alta madrugada alguém da casa está a estudar na internet sozinho, situação que a entidade com certeza verá e acharmos que tal entidade não conhece internet. Ora, me desculpe quem não concordar, mas todos nós Umbandistas temos a certeza que a entidade tem uma evolução e conhecimento maior que o nosso, certo? Sendo assim, é inconcebível crer que um espírito de luz saiba menos que nos seja qual assunto for. Um dia, vendo um vídeo da série Dialogo com os Espíritos, que adoro, vi um médium incorporado com o grande Exu Marabô que disse: “- Eu não preciso dizer palavrão ou ser mal educado pra provar que sou quem sou. Muito menos forçar as cordas vocais do médium para mudar a voz. Quem não reconhecer que aqui tem uma entidade por sua mensagem, é melhor estudar. Quer espetáculo? Vá ao teatro.” Está certo ele. A internet, livros, textos e tantos outros recursos estão ai pra nosso próprio bem. É necessário atualização dos Umbandistas e não ficar presos a velhos conceitos. Como me disse uma vez o Boiadeiro Seu Zé Raimundo que tenho o imenso prazer de trabalhar comigo: - “ A estrada está ai na sua frente. Pés parados não pegam a estrada”. Eu tive o privilégio de conhecer pessoalmente as reuniões do Chico Xavier em Uberaba. A energia era fabulosa, e ele incorporado e não era do mesmo jeito, mesmo tom de voz, mesma suavidade de movimentos, mesmo amor nos olhos. Precisamos estudar mais, ter menos achismo, e ser menos donos da verdade.

Todas essas reflexões e alguns estudos me levam a algumas conclusões. A mediunidade muda com o tempo. Aquela mediunidade totalmente inconsciente de antes, realizada por médiuns que se recusam a se atualizar vai dando lugar a uma mediunidade mais parceira do médium, semiconsciente ou totalmente consciente dependendo do grau de estudo, veja bem, estudo, e não evolução, não misture as palavras, do próprio médium. E por estudos que já fiz, não muito distante será o tempo da mediunidade ser intuitiva. Que bom essa mudança que coloca o médium não como um instrumento de carne, mas parte de um processo que ele mesmo aprende constantemente com seu guia, mesmo quando esse auxilia a outros. O atendimento espiritual realizados nos terreiros NÃO SÃO TODOS IGUAIS. Conhecer um médium/ entidade e depois outro não é falta de confiança a entidade. É trabalhos e características diferentes. Ou não é uma verdade que tem médium/entidade que faz e conhece trabalhos magísticos; outros ainda conhecem ervas em profundidade; outros tem o dom de aconselhar; outros conhecem Orixás como poucos. Não há mal em passar em várias entidades. Temos que corrigir isso em nossos terreiros não sendo preconceituosos e principalmente respeitando a individualidade de cada um da assistência e de cada médium/entidade. Dedicação, estudo e principalmente bom senso é fundamental a todos que compõe uma casa religiosa para que a caridade atinja seu verdadeiro objetivo. O bem de todos, assistidos e médiuns. Seremos mais humildes, não modifiquemos nosso padrão energético e vibracional por pouca coisa. Reflitamos...